Como reconhecer óculos de eclipse falsos antes de 12 de agosto de 2026
Não é um risco teórico: a Associação Francesa de Astronomia já solicitou a retirada imediata de uma publicação vendida em bancas com óculos de eclipse não conformes. E o precedente americano de 2017 viu lotes inteiros de falsificações vendidos nos grandes marketplaces. À medida que a escassez se instala antes de 12 de agosto, os produtos duvidosos vão multiplicar-se. Eis como detetá-los.
Por que proliferam as falsificações antes de um eclipse
A equação é simples: uma procura que explode em poucas semanas, compradores apressados e pouco informados, e um produto de poucos euros que a maioria não sabe testar. Um par genuíno certificado ISO 12312-2 bloqueia mais de 99,99 % da luz visível e a totalidade dos UV e infravermelhos. Uma falsificação pode parecer idêntica ao original — mesmo cartão, mesmo design — com uma película que deixa passar uma radiação milhares de vezes demasiado intensa. E como a queimadura retiniana é indolor e diferida, a vítima só se apercebe no dia seguinte.
As 6 verificações que desmascararam uma falsificação
A menção ISO 12312-2 nas hastes
Ausente = eliminatório. Mas atenção: os falsificadores também a imprimem. A menção é necessária, não suficiente — daí os pontos seguintes.
A identidade completa do fabricante
O nome e o endereço do fabricante ou importador devem figurar no produto ou na embalagem. Um par «anónimo», mesmo com marcação ISO, deve ser descartado.
O teste da lâmpada
Através de um filtro genuíno, uma lâmpada LED potente aparece apenas como um ponto muito atenuado, nítido e confortável. Se distinguir os contornos do quarto, halos ou qualquer luz ambiente: o filtro tem fugas. Um filtro genuíno não deixa ver nada mais que fontes intensas.
O teste da «luz do dia»
Usados em interiores ou à sombra, óculos de eclipse genuínos são totalmente opacos — literalmente não vê nada. Se conseguir ver o seu ambiente, são no melhor caso óculos de sol disfarçados.
A coerência do canal de venda
Óticos, farmácias, lojas de astronomia, planetários e revendedores especializados abastecem-se junto de fabricantes identificados. Nos marketplaces, desconfie ao máximo de vendedores terceiros recentes, com nomes genéricos e sem historial — é exatamente o canal das falsificações de 2017.
O preço e a urgência
Um lote a preço de saldo «stock limitado, última oportunidade» de um vendedor desconhecido assinala todos os sinais de alerta. O preço normal de um par certificado: 2 a 5 €.
Tem dúvidas sobre um par já comprado?
Não o utilize, nem «só para o início» do eclipse. Faça os testes 3 e 4 acima; ao menor falhanço, deite-o fora e denuncie o vendedor — na plataforma de venda e à autoridade de defesa do consumidor do seu país (em Portugal, à DECO ou ao Portal da Queixa). Substitua-o por um par de origem verificável — agora, não na semana de 12 de agosto, quando o stock fiável terá desaparecido.
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